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30/10/23 às 12h16 - Atualizado em 30/10/23 às 12h16

Merendeiros garantem a qualidade das refeições nas escolas do DF

Mais de 2,5 mil profissionais preparam, todos os dias, refeições saudáveis e saborosas para estudantes da rede pública; Dia do Merendeiro lembra a importância desses profissionais

Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

 

Diariamente, 590 mil refeições são servidas aos estudantes da rede pública de ensino do DF. São receitas preparadas pelos 2.523 merendeiros e merendeiras contratados pela Secretaria de Educação (SEE) para trabalhar nas cozinhas das escolas da rede. Nesta segunda-feira (30) é comemorado o Dia do Merendeiro Escolar, profissional com atuação importante na formação educacional.

Mônica Gonçalves de Almeida (C), com as colegas merendeiras do CEDF 306 da Asa Norte: “Com o tempo, fui aprendendo o básico, depois trabalhei em restaurantes e quando percebi já estava completamente envolvida com a culinária” | Foto: Waléria Costa/SEE
“Os merendeiros desempenham um papel fundamental ao garantir a qualidade e a segurança alimentar a milhares de estudantes”, afirma a diretora de Alimentação Escolar da SEE, Juliene Moura. “Sua contribuição é essencial para promover uma alimentação saudável e adequada, além de criar um ambiente propício para o aprendizado e o desenvolvimento dos alunos.”

A alimentação escolar do DF é composta por itens em sua maioria in natura ou minimamente processados, como arroz, feijão, queijo, manteiga, carnes, ovos, peixe, canjica e leite, além de frutas e verduras frescas que chegam todas as segundas-feiras diretamente das propriedades dos agricultores familiares fornecedores do Programa de Alimentação Escolar do DF (PAE-DF).

Trabalho em equipe

Mônica Gonçalves de Almeida, 27, é merendeira do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 306 da Asa Norte. Nascida em Serra das Araras (MG), sua relação com a cozinheira começou cedo, aos 13 anos de idade. A inspiração e talento vieram da mãe, Anilça Gonçalves dos Santos, 66, que também era merendeira de escola pública.

“Minha história na cozinha começa na infância. Eu amava a galinhada que minha mãe fazia e sempre tive vontade de fazer”, conta. “Com o tempo, fui aprendendo o básico, depois trabalhei em restaurantes e, quando percebi, já estava completamente envolvida com a culinária”. A família de Mônica, aliás, tem marca registrada no segmento: suas cinco irmãs mais velhas atuam como cozinheiras da SEE.

Felipe estuda na unidade em que sua mãe, Denaide, é merendeira: “É muito bom comer a comida dela em casa, e ainda melhor quando ela cozinha na escola” | Foto: Waléria Costa/SEE

Para a merendeira Denaide da Silva Batista, 39, o trabalho em equipe faz toda a diferença. “A escola é a minha segunda casa, pois é onde passo a maior parte do tempo”, diz. “Aqui no CEF 306, somos três na cozinha; e, antes de todo amor pela culinária, existe também parceria e companheirismo, uma ajudando a outra”.

Na escola, Denaide também cozinha para o próprio filho, Felipe de Souza Batista, 12, que estuda na unidade de ensino. “É gratificante cozinhar para ele, que já está acostumado com meu tempero; sinto que trabalho mais feliz estando próxima”, acrescenta. Aluno do sétimo ano, Felipe confirma: “É muito bom comer a comida dela em casa, e ainda melhor quando ela cozinha na escola”.

Sabor de Escola

Para celebrar o talento dos merendeiros do DF, a SEE promove, pelo segundo ano consecutivo, o concurso Sabor de Escola, que vai eleger a melhor receita da alimentação escolar do DF. Ao todo, 305 merendeiras e merendeiros se inscreveram na competição, quase o dobro de participantes do ano passado. A etapa regional já passou pelas 14 coordenações regionais de ensino (CREs), tendo sido selecionados 28 profissionais para as semifinais do concurso, em novembro.

“É muito gratificante chegar a essa fase do concurso levando 28 competidoras para a semifinal”, comemora a coordenadora da Regional de Ensino do Guará, Fernanda Matheus, que também atua na organização do concurso. “A gente não acreditava que seria um sucesso, mesmo com um número recorde de inscritos na segunda edição. A meta agora é nos surpreender ainda mais com as semifinalistas.”

O concurso também incentiva o desenvolvimento profissional das merendeiras que atuam na rede pública de ensino. O trabalho vencedor ganhará um prêmio no valor de R$ 9 mil,  cabendo à segunda colocação R$ 5,3 mil e, ao terceiro colocado, R$ 4,2 mil. Os demais finalistas recebem, cada um, R$ 2,7 mil.

Conquistar o paladar

Rosimeire Aparecida da Silva, 53, trabalha na Escola Classe (EC) 03 de Brazlândia e, com 15 anos de experiência na área, sabe da importância de garantir refeições saudáveis: “A alimentação precisa ser rica e nutritiva, principalmente na escola, onde as crianças passam boa parte do dia. Procuro sempre inovar, usar verduras de uma forma criativa e que conquiste o paladar de quem vai se alimentar”.

Para o concurso Sabor de Escola, a cozinheira preparou um cachorro-quente alternativo: no lugar da salsicha, usa cenoura triturada, acrescentando à receita mussarela, cebola, salsinha e molho de tomate. “Filha de mineira, sempre gostei de cozinhar em casa para a família, e na escola não é diferente”, explica. “O que muda é que a gente precisa sempre inovar para as crianças comerem. O tempero na medida certa faz toda a diferença, mas a criatividade e o trabalho em equipe são fundamentais”.

Merendeiros não apenas se preocupam com a preparação das refeições, mas também com a higiene e a limpeza da cozinha, garantindo a segurança e a prevenção de doenças alimentares.

Bons hábitos

A profissão não é limitada pelo gênero: homens e mulheres têm igual habilidade e paixão pela arte de cozinhar para os estudantes. É o caso do merendeiro Gabriel Gonçalves, 27, que atua no Centro de Ensino Médio (CEM) 04 de Sobradinho. “Eu trabalho com merenda escolar há seis anos e me sinto orgulhoso em atuar na escola onde me formei”, relata.

Gabriel participou, como ajudante de cozinha, da etapa regional do Sabor de Escola, na regional de ensino de Sobradinho. Sua receita – coxa de frango recheada com purê gratinado e acompanhada de salada tropical – não chegou a ser classificada para a semifinal, mas o prêmio maior foi a aprovação dos alunos. “Eles adoraram, e me sinto muito honrado”, garante.

Graças aos merendeiros, muitos estudantes têm acesso a refeições de qualidade durante o período escolar. “Para muitos deles, a merenda escolar é a principal refeição do dia, o que torna ainda mais importante o trabalho desses profissionais”, pontua Juliene Moura. “Eles estão constantemente empenhados em proporcionar uma alimentação saudável e saborosa, que estimule o consumo de frutas, verduras, legumes e alimentos integrais, contribuindo para a formação de bons hábitos alimentares desde a infância”.

*Com informações da Secretaria de Educação do DF