Governo do Distrito Federal
21/02/22 às 11h18 - Atualizado em 21/02/22 às 11h18

Agricultores recebem lonas para reservatórios destinados à irrigação

Material diminui a infiltração e a perda de água, contribuindo para o uso sustentável do recurso

Para viabilizar o uso sustentável de água em propriedades rurais, a Emater-DF está entregando 360 kits de lonas a produtores do Distrito Federal. O material será usado no revestimento de reservatórios destinados à irrigação de plantações, o que vai diminuir a infiltração e a perda de água, contribuindo para o aproveitamento dela, para o uso racional do recurso natural e economia hídrica.

Extensionistas da Emater-DF entregam kit de lona a produtores do Assentamento 1º de Julho | Foto: Emater-DF

A implantação de reservatórios lonados é resultado de uma parceria entre a Agência de Bacia do Comitê do Rio Paranaíba (ABHA) e a Secretaria de Agricultura (Seagri) do DF. “A Emater-DF foi escolhida para ser a executora do projeto tendo em vista a sua capilaridade nas áreas rurais da capital e a missão de levar desenvolvimento sustentável para o campo, melhorar a qualidade de vida dos produtores e gerar renda. Viabilizar o uso da água para os processos de irrigação é uma das nossas prioridades”, explicou a presidente da Emater-DF, Denise Fonseca.

O gerente do escritório da Emater-DF em Ceilândia, Aécio Prado, destaca que a entrega de lona fortalece uma política pública estadual que entende o recurso hídrico como algo essencial nas propriedades rurais, mas como um recurso finito ao qual alguns produtores não têm tanto acesso em abundância.

“Esse tipo de fomento permite um conjunto de ações. Contribui para a economia de água e uma assistência técnica e extensão rural mais sustentável. O bombeamento de água vai economizar energia, pois diminuirá a quantidade de água infiltrada. Além disso, estamos verificando questões legais de outorga de licenciamento ambiental e trabalhando para dimensionar adequadamente os sistemas de irrigação. Então, é um conjunto de ações que a gente consegue levar para o produtor”, afirmou Aécio.

A produtora rural Esmeralda Rodrigues, moradora do Assentamento 1º de Julho, recebeu o kit de lona entregue pela gerente do escritório da Emater-DF em São Sebastião, Maíra Andrade, e pela extensionista rural Bruna Beleosoff. Para ela, construir o reservatório é de fundamental importância, porque o recurso hídrico é bem escasso na região.

“Aqui não tem rio e nem córrego. Para produzir, a gente precisa de água. Fazer um tanque é muito caro e o mais caro é a lona, então essa entrega é um estímulo para a gente construir o reservatório. Em junho, quando começa a seca, já não vai faltar água para a plantação”, avalia.

A gerente Maíra explica que, após cessarem as chuvas, a Emater-DF vai realizar uma oficina com os produtores demostrando na prática como deve ser feito o revestimento do reservatório. “Aqui no Assentamento 1º de Julho os produtores sofrem muito com a escassez de água, tanto para as plantações quanto para os animais. Com a lona, eles passarão a ter água nas suas propriedades, inclusive no período de seca. Muitos aqui já possuem reservatórios mas sem o revestimento, o que ocasiona a perda de água”.

“Aqui em casa temos uma cisterna em que usamos a água só para consumo. Não dá para a plantação. Vai ser muito bom com o reservatório cheio, vamos conseguir plantar mais coisa, uma horta, cheiro verde e outros produtos. Hoje só tem milho, mandioca e variedade que dá para plantar na época da chuva”, declarou Marcos de Jesus Peixoto, do Assentamento 1º de Julho, ao receber o kit de lona.

Para a produtora Nilvanir Cordeiro de Alencar, o kit representa uma oportunidade de viver da terra e de investir em algo que terá resultado positivo. “A Emater está dando uma chance para a gente crescer, pois a lona é muito cara e não podemos comprar”, finalizou. A produtora, que é do Assentamento 1º de Julho desde 2015, planta mandioca, milho, banana, manga e goiaba.

Tanque lonado

A Emater-DF é executora do projeto em conjunto com a ABHA e com a Seagri. O objetivo do projeto é implantar 360 reservatórios lonados para uso em atividades de irrigação, viabilizando o uso sustentável da água em propriedades rurais situadas na área dos afluentes do Rio Paranaíba no DF.

Ao receber o kit, o produtor tem de assinar um termo de contrapartida, em que se compromete a utilizar a lona exclusivamente para aplicação em tanque, no modelo Tanque Lonado. Além disso, se responsabiliza por fazer a cobertura de solo, para que o plástico não fique exposto ao sol, e o cercamento ao redor do tanque, para evitar a entrada de animais e a ocorrência de acidentes. O kit é composto por uma lona com espessura de 200 micras e 8×100 metros de comprimento e de dez tubos de cola para as juntas do motor a diesel.

Para ser beneficiário do projeto, o produtor rural deve morar em área abrangente da bacia do Rio Paranaíba; deve, preferencialmente, ter a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP); ter outorga para o uso da água; ter Declaração de Conformidade de Adequação Ambiental, que contemple a construção do reservatório; não possuir reservatório para irrigação; utilizar água oriunda de canais revitalizados ou tubulados pela Seagri-DF; ter aderido ao Programa de Boas Práticas Agropecuárias (BPA) e assinar o Termo de Compromisso para iniciar o processo. Os critérios são classificatórios.

O gerente de Meio Ambiente da Emater-DF, Marcos Maia, explica que após a habilitação do produtor rural, recebimento do kit e participação da oficina, um técnico da empresa vai até a propriedade fazer a topografia do terreno e, em seguida, a Seagri envia uma pá mecânica para abri-lo. No entanto, a mão de obra para instalação da lona é do interessado.

“A execução desse serviço pela Emater-DF retorna com um ganho de credibilidade junto aos produtores rurais. Faz parte da assistência técnica e extensão rural, pois é um trabalho de educação ambiental, gerando economia de recursos hídricos e preocupação com o meio ambiente”, completou.

Outro benefício da implantação do tanque lonado é facilitar a entrada de um profissional da Emater-DF na propriedade e à adesão a uma assistência técnica de qualidade, contribuindo para a transformação de todo o sistema de produção dessas propriedades rurais, incentivando a geração de emprego e renda, a segurança alimentar e nutricional e fortalecendo a sustentabilidade do processo.

*Com informações da Emater-DF

Agência Brasília* | Edição: Renata Lu